Para começar
meu estudo da representação da pobreza no Brasil, eu escolhi estudar um filme
que fez sucesso no Brasil e
internacionalmente, que se chama Cidade de Deus. O filme expõe aos expectadores
o começo das guerras de drogas nas favelas do Rio de Janeiro através das
experiências pessoais das pessoas que vivem na favela Cidade de Deus. É Um
filme extraordinário, as escolhas cinematográficas contribuem para uma
narrativa poderosa e profunda que explora muitos componentes da realidade de
pobreza nas favelas brasileiras.
O filme foca
na perspectiva do narrador, que se chama Buscapé, como uma criança e mais tarde
um jovem. Nós exploramos sua vida na Cidade de Deus, uma favela que originou
como um subúrbio do pobre que era segregado ao lado da cidade do Rio de Janeiro
(Meirelles, 2002). Como um menino, Buscapé testemunhava os crimes de muitos
criminosos, incluindo seu irmão, e assistimos a favela tornar-se uma área
urbana controlada por dois líderes das gangues de drogas, que se chamam Zé
Pequeno e Cenoura (Meirelles, 2002). No fim, percebemos o fracasso de dois homens e muitas outras
personagens através os olhos de Buscapé, o único homem que encontra sucesso
dentro de um emprego respeitoso como jornalista documentando a guerra de drogas
na Cidade de Deus (Meirelles 2002).
Para mim, o
filme é uma apresentação magnífica da guerra das drogas entre as gangues nas
favelas por muitas razões. Por exemplo, o filme mostra a ideia de que pessoas
nas favelas têm poucas oportunidades para escapar da violência e pobreza de sua
comunidade. As pessoas nas favelas podem escolher dois caminhos: trabalhar com
as gangues e a violência da favela, ou encontrar um emprego respeitoso e ganhar
o dinheiro necessário para deslocar-se da favela. Entretanto, muitos falham e as pessoas permanecem na violência.
Por exemplo, pessoas como Zé Pequeno e Cenoura escolhem trabalhar com violência
e são mortos no fim do filme, dentro da guerra das drogas (Meirelles, 2002). Por
outro lado, personagens como Mané Galinha e Bené tentam evadir a guerra de
drogas, mas fracassam: Mané está envolvido quando Zé estupra sua namorada e
tenta matar Mané, que resulta em Mané trabalhando com Cenoura para vingança, enquanto
Bené tenta deixar o negócio das drogas e é morto no processo (Meirelles, 2002).
é claro que o filme está mostrando que deixando
a favela é quase impossível, com só uma personagem encontrando uma maneira de escapar
da violência (Meirelles, 2002).
Outro
fenômeno importante que o filme mostra é o ciclo geracional de violência que
existe nas favelas. Em muitos exemplos, vimos meninos envolvidos nas atividades
das gangues e matando outros meninos e adultos de um modo ritualista (Meirelles,
2002). Ademais, meninos tornam-se
violentos e sua violência acelera como adultos, incluindo Zé Pequeno (Meirelles,
2002). De fato, o filme termina focando em um grupo de meninos falando sobre
sua ascensão ao poder usando violência e drogas (Meirelles 2002). Este ciclo
mostra a razão por que pessoas se viram para a guerra de drogas: elas não têm outras oportunidades em suas
vidas. Acho que o ciclo indica que os homens na violência de drogas são vistos
pelos meninos como modelos, por causa do poder destes homens em suas
sociedades. Para meninos, a violência e uso de drogas é um símbolo de
maturidade e poder, qual é claro do exemplo de um menino no filme que diz que
ele é um homem, porque ele fuma, cheira, e mata outras pessoas (Meirelles,
2002). O filme incorpora um número de outros fenômenos importantes que existem
entre a relação da cultura brasileira, drogas e violência que eu espero ter tempo para investigar, incluindo o impacto da
religião na violência de drogas, a relação entre as gangues e a polícia, e a
importância da comunidade nas experiências pessoais dos membros das gangues
(Meirelles, 2002).
Apesar do
fato do filme apresentar muitos temas
importantes, é necessário que investiguemos as coisas problemáticas que existem
no filme também. Como em meu estudo da representação das brasileiras, muitos
estereótipos sobre a pobreza são criados e apresentados através do filme. Por
exemplo, na abertura do filme foca nas armas e violência, apoiando o que muitas
pessoas têm a expectativa de um filme sobre uma favela brasileira. A
prevalência das armas e da violência, que continua dentro do filme, contribue para
a ideia de que as armas são fundamentais na experiência da favela do Brasil.
Outra coisa que é problemática no filme é o fato que os processos e estruturas
sociais e políticas que tinham criado a pobreza não são investigadas, e o fato
que a maioria das pessoas na favela são afro-brasileiras é ignorado também. Devido estas coisas serem ignoradas, o filme cria a ideia que as favelas
são violentas e cheias de drogas , qual acho que é um desserviço monumental às
pessoas das favelas.
De acordo
com autor Gundo Rial y Costas (Rial y Costas 2011), a representação das favelas
de Rio de Janeiro nos pedaços de arte visual é importante pelo fato que a
imagem das favelas do Rio é utilizada como imagens de todas favelas no Brasil. .
Este fato é problemático porque menos da metade das favelas brasileiras são
operadas pelos líderes de tráfico de drogas, como em Cidade de Deus, mas a mídia
usa estas imagens poderosas das favelas para criar uma representação através da
cultura popular (Rial y Costas 2011). O autor utiliza um frase em inglês, o
mediascape, para referir ao impacto dos filmes nas narrativas, porque as
imagens que são criadas são utilizadas para construir uma paisagem que o público
entende como realidade (Rial y Costas 2011). Entretanto, acho que a narrativa
profunda e complexa no filme é beneficial para um entendimento da vida na favela e a história que Meirelles está
criando. Para criar um entendimento público da diversidade da favela, mais
filmes e histórias sobre este tema são necessários no cinema brasileiro.
Eu tinha a
expectativa que Cidade de Deus seria um filme cheio de estereótipos da pobreza
e da favela, e estou feliz que o filme
apresenta muitos temas diferentes e importantes em sua narrativa sobre a
experiência nas favelas. Nas proximas semanas , vou investigar outras formas da
cultura popular para suas representações de pobreza e das favelas, e espero que
Cidade de Deus seja um começo de representações que são criadas de um
entendimento de pobreza que não é construido por meio de estereótipos
Fontes:
Cidade De
Deus. Dir. Fernando Meirelles and Katia Lund. Perf. Alexandre Rodrigues,
Leandro Firmino. Miramax
Filmes, 2002. Netflix.
Rial Y Costas, Gundo. "Spaces of
Insecurity? The "favelas" of Rio De Janeiro between Stigmatization
and Glorification." Iberoamericana 11.41 (2011): 115-28. Web.