Wednesday, October 22, 2014

A experiência na favela, pobreza e Cidade de Deus



Para começar meu estudo da representação da pobreza no Brasil, eu escolhi estudar um filme que fez sucesso no Brasil  e internacionalmente, que se chama Cidade de Deus. O filme expõe aos expectadores o começo das guerras de drogas nas favelas do Rio de Janeiro através das experiências pessoais das pessoas que vivem na favela Cidade de Deus. É Um filme extraordinário, as escolhas cinematográficas contribuem para uma narrativa poderosa e profunda que explora muitos componentes da realidade de pobreza nas favelas brasileiras.
O filme foca na perspectiva do narrador, que se chama Buscapé, como uma criança e mais tarde um jovem. Nós exploramos sua vida na Cidade de Deus, uma favela que originou como um subúrbio do pobre que era segregado ao lado da cidade do Rio de Janeiro (Meirelles, 2002). Como um menino, Buscapé testemunhava os crimes de muitos criminosos, incluindo seu irmão, e assistimos a favela tornar-se uma área urbana controlada por dois líderes das gangues de drogas, que se chamam Zé Pequeno e Cenoura (Meirelles, 2002). No fim, percebemos  o fracasso de dois homens e muitas outras personagens através os olhos de Buscapé, o único homem que encontra sucesso dentro de um emprego respeitoso como jornalista documentando a guerra de drogas na Cidade de Deus (Meirelles 2002).
Para mim, o filme é uma apresentação magnífica da guerra das drogas entre as gangues nas favelas por muitas razões. Por exemplo, o filme mostra a ideia de que pessoas nas favelas têm poucas oportunidades para escapar da violência e pobreza de sua comunidade. As pessoas nas favelas podem escolher dois caminhos: trabalhar com as gangues e a violência da favela, ou encontrar um emprego respeitoso e ganhar o dinheiro necessário para deslocar-se da favela. Entretanto, muitos  falham e as pessoas permanecem na violência. Por exemplo, pessoas como Zé Pequeno e Cenoura escolhem trabalhar com violência e são mortos no fim do filme, dentro da guerra das drogas (Meirelles, 2002). Por outro lado, personagens como Mané Galinha e Bené tentam evadir a guerra de drogas, mas fracassam: Mané está envolvido quando Zé estupra sua namorada e tenta matar Mané, que resulta em Mané trabalhando com Cenoura para vingança, enquanto Bené tenta deixar o negócio das drogas e é morto no processo (Meirelles, 2002). é claro que o filme está mostrando que deixando a favela é quase impossível, com só uma personagem encontrando uma maneira de escapar da violência (Meirelles, 2002).
Outro fenômeno importante que o filme mostra é o ciclo geracional de violência que existe nas favelas. Em muitos exemplos, vimos meninos envolvidos nas atividades das gangues e matando outros meninos e adultos de um modo ritualista (Meirelles, 2002). Ademais,  meninos tornam-se violentos e sua violência acelera como adultos, incluindo Zé Pequeno (Meirelles, 2002). De fato, o filme termina focando em um grupo de meninos falando sobre sua ascensão ao poder usando violência e drogas (Meirelles 2002). Este ciclo mostra a razão por que pessoas se viram para a guerra de drogas:  elas não têm outras oportunidades em suas vidas. Acho que o ciclo indica que os homens na violência de drogas são vistos pelos meninos como modelos, por causa do poder destes homens em suas sociedades. Para meninos, a violência e uso de drogas é um símbolo de maturidade e poder, qual é claro do exemplo de um menino no filme que diz que ele é um homem, porque ele fuma, cheira, e mata outras pessoas (Meirelles, 2002). O filme incorpora um número de outros fenômenos importantes que existem entre a relação da cultura brasileira, drogas e violência que eu espero ter  tempo para investigar, incluindo o impacto da religião na violência de drogas, a relação entre as gangues e a polícia, e a importância da comunidade nas experiências pessoais dos membros das gangues (Meirelles, 2002).
Apesar do fato  do filme apresentar muitos temas importantes, é necessário que investiguemos as coisas problemáticas que existem no filme também. Como em meu estudo da representação das brasileiras, muitos estereótipos sobre a pobreza são criados e apresentados através do filme. Por exemplo, na abertura do filme foca nas armas e violência, apoiando o que muitas pessoas têm a expectativa de um filme sobre uma favela brasileira. A prevalência das armas e da violência, que continua dentro do filme, contribue para a ideia de que as armas são fundamentais na experiência da favela do Brasil. Outra coisa que é problemática no filme é o fato que os processos e estruturas sociais e políticas que tinham criado a pobreza não são investigadas, e o fato que a maioria das pessoas na favela são afro-brasileiras é ignorado também.  Devido estas coisas serem  ignoradas, o filme cria a ideia que as favelas são violentas e cheias de drogas , qual acho que é um desserviço monumental às pessoas das favelas.
De acordo com autor Gundo Rial y Costas (Rial y Costas 2011), a representação das favelas de Rio de Janeiro nos pedaços de arte visual é importante pelo fato que a imagem das favelas do Rio é utilizada como imagens de todas favelas no Brasil. . Este fato é problemático porque menos da metade das favelas brasileiras são operadas pelos líderes de tráfico de drogas, como em Cidade de Deus, mas a mídia usa estas imagens poderosas das favelas para criar uma representação através da cultura popular (Rial y Costas 2011). O autor utiliza um frase em inglês, o mediascape, para referir ao impacto dos filmes nas narrativas, porque as imagens que são criadas são utilizadas para construir uma paisagem que o público entende como realidade (Rial y Costas 2011). Entretanto, acho que a narrativa profunda e complexa no filme é beneficial para um entendimento da  vida na favela e a história que Meirelles está criando. Para criar um entendimento público da diversidade da favela, mais filmes e histórias sobre este tema são necessários no cinema brasileiro.
Eu tinha a expectativa que Cidade de Deus seria um filme cheio de estereótipos da pobreza e da favela, e estou  feliz que o filme apresenta muitos temas diferentes e importantes em sua narrativa sobre a experiência nas favelas. Nas proximas semanas , vou investigar outras formas da cultura popular para suas representações de pobreza e das favelas, e espero que Cidade de Deus seja um começo de representações que são criadas de um entendimento de pobreza que não é construido por meio de estereótipos

Fontes:
Cidade De Deus. Dir. Fernando Meirelles and Katia Lund. Perf. Alexandre Rodrigues, Leandro Firmino. Miramax Filmes, 2002. Netflix.
Rial Y Costas, Gundo. "Spaces of Insecurity? The "favelas" of Rio De Janeiro between Stigmatization and Glorification." Iberoamericana 11.41 (2011): 115-28. Web.

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